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DESAFIOS DAS AGÊNCIAS DE PROPAGANDA EM TODO O PAÍS É TEMA DE ENCONTRO DA FENAPRO EM SALVADOR.
Necessidade de buscar um maior diálogo entre agências, anunciantes e veículos
foi um dos temas do encontro, que reuniu presidentes de sindicatos de todo Brasil
Os desafios das agências de propaganda do Brasil, para manter seus negócios em condição sustentável, têm se ampliado em função de uma série de mudanças que estão ocorrendo no mercado e também de fatores estruturais do País. Carga tributária em alta, diminuição das comissões e taxas, concorrência predatória, verbas divididas com novas mídias são alguns dos problemas enfrentados pelas agências. É nesse cenário, e com o objetivo de buscar soluções que contribuam para fortalecer o setor, que a FENAPRO (Federação Nacional das Agências de Propaganda), realizou na quinta e sexta-feira (20 e 21 de setembro), em Salvador, o Encontro da Propaganda da Bahia, com a presença de presidentes Sindicatos de Agências de Propaganda (Sinapro's) de todo o País.
“As agências tem sido questionadas sob o aspecto da remuneração, ao mesmo tempo em que surgem restrições crescentes à propaganda por parte de órgãos como a Anvisa”, afirma Ricardo Nabhan, presidente da FENAPRO. “Estes fatores, somados a outros, tornam cada vez mais difícil a gestão e sobrevivência do negócio da propaganda, e é nesse cenário que a Federação busca caminhos para o fortalecimento do setor”, acrescenta.
Com esse objetivo, a Fenapro decidiu implementar esforços para ampliar o diálogo entre anunciantes, agências e veículos. “Mais do que nunca é primordial um diálogo franco e produtivo porque, mesmo se o atual sistema de remuneração é questionado, ele não pode ser substituído de uma hora para outra. É preciso uma transição e um consenso”, afirma o presidente da Fenapro. A busca de soluções também é de interesse dos anunciantes e veículos, lembra Nabhan, pois pressões excessivas sobre as agências limitam e afetam a prestação de serviços.
No sentido de buscar soluções, a Fenapro está ouvindo os Sinapro's para apresentar uma proposta junto ao comitê que está analisando as normas-padrão, conta Nabhan.
O diretor de Assuntos Éticos da Fenapro, César Paim, lembrou que a busca por remuneração cada vez menor tem levado muitos anunciantes a trocar de agência. “Nunca houve tanta concorrência como hoje, e nunca as agências gastaram tanto para participar de concorrências. Isto não é positivo para nenhuma das duas partes, porque muitas vezes a troca de agência não satisfaz, e se joga fora anos de investimentos”, diz ele. Por isso, há a necessidade de se encontrar um modelo adequado que garanta uma remuneração justa. “A tendência é a de não haver apenas um modelo de remuneração. Há anunciantes de diferentes perfis, alguns sazonais, por exemplo, e é preciso adequar a remuneração a esse anunciante”, acrescenta Paim.
Na opinião do presidente do Sinapro-Mato Grosso do Sul, Henrique Alberto de Medeiros Filho, é preciso também adequar a remuneração às pequenas contas, que têm outra realidade diferente dos grandes anunciantes.
O tema é polêmico e está em discussão pelo setor. Por isso, a FENAPRO, segundo o presidente da entidade, vai levar a questão ao CENP (Conselho Executivo das Normas Padrão) para que o grupo que está hoje analisando as normas-padrão tenha subsídio para discutir e propor adequações, se necessário, completa Ricardo Nabhan.
Para João Luiz Faria Netto, consultor jurídico do CENP, as normas-padrão já completaram 10 anos, e é natural que seja feita uma releitura. Mas ele destaca que o modelo do negócio não será alterado. “É condição pétrea da auto-regulamentação respeitar a lei 4.680” , destaca Faria Netto. “Da mesma forma, o desconto padrão é sagrado para as agências, como o desconto negocial é sagrado para os anunciantes”, acrescenta ele, ao lembrar que até os anunciantes têm consenso de que a auto-regulamentação é importante em um País que regulamenta tudo.
Na avaliação do consultor jurídico do CENP, os encontros nacionais promovidos pela Fenapro, como o da Bahia, são importantes porque permitem medir o que está acontecendo na propaganda nacional, ouvir o mercado e indicar caminhos saudáveis e responsáveis para a indústria da propaganda.
Informações à Imprensa
GP Comunicação
Débora Ferreira / Regina Tostes
Giovanna Picillo
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